Textos sobre esportes. Desde o popular futebol até a NBA e o tênis.

Tuesday, March 21, 2006

Avenida Paulo Baier
O Palmeiras contratou bem para este ano. Não faço parte daqueles que acham a equipe paulista uma junção de jogadores medíocres com estrelas envelhecidas. Acho que jogadores como Edmundo e Juninho ainda estão em forma e podem decidir partidas, e a contratação de Paulo Baier para a lateral-direita foi uma vitória importante para os palmeirenses.
Mas é justamente Paulo Baier o catalizador de um dos principais problemas do Palmeiras neste início de temporada. Para que Baier renda seu máximo, ele precisa ter liberdade total. Assim, ele sai do flanco direito e acaba aparecendo por todas as partes do gramado, inclusive a grande área, jogando no estilo do ala argentino Sorín.
O problema disso tudo é que no chamado "futebol moderno", é inadmissível despovoar uma área do campo. As saídas de Paulo Baier precisam ser devidamente cobertas, seja por um zagueiro, como ocorria no Goiás no ano passado, seja por um volante, como o técnico Leão tenta este ano no Palmeiras. O encarregado para realizar a cobertura tem sido Corrêa, que passa a funcionar como lateral-direito quando Baier faz o movimento em direção à área adversária. Só que Corrêa, por ter algumas qualidades ofensivas, acaba subindo também, abrindo a Avenida Paulo Baier para o contra-ataque adversário.
O espaço já foi aproveitado em várias partidas, mas o jogo em que ficou mais clara a fragilidade do setor foi o clássico contra o Santos. Luxemburgo colocou, no segundo tempo, Léo Lima jogando na ponta-esquerda, exatamente no espaço vazio da defesa palmeirense. A mudança determinou o domínio da partida pela equipe santista e a posterior vitória do Peixe.
Para corrigir o problema, Leão precisa ou jogar com três zagueiros, o que ele não parece disposto a fazer, ou lembrar ao volante que cobrir Paulo Baier que ele precisa funcionar como um zagueiro pela direita, ou seja, ele não pode atacar em nenhuma circunstância. O exemplo a ser seguido é o do Milan nos bons tempos de Cafú, quando o brasileiro subia a vontade, sabendo que a única função de Gattuso era lhe dar cobertura.

Friday, January 27, 2006

Zé Mané
O ego de Luxemburgo realmente não conhece limites. A última demonstração de mania de grandeza do técnico veio no programa Bem Amigos, do Sportv, quando Vanderlei disse que não ia mais para a europa se não fosse reconhecido como grande técnico. Segundo ele, o Real Madrid fez um contrato para um Zé Mané, e não para um Luxemburgo. Para Vanderlei, ele teria que ser equiparado com técnicos como Mourinho, Ferguson, Wenger ou Capello.
Mais impressionante para mim, foi a passividade dos entrevistadores diante do absurdo que Luxemburgo proferia. Em primeiro lugar, mesmo se considerarmos os títulos brasileiros de Luxemburgo tão importantes quanto às ligas nacionais européias, ele não pode ser comparado aos técnicos que citou. Wenger ganhou um título invicto da Liga inglesa; Ferguson está há 20 anos no Manchester e conquistou tudo que um clube pode conquistar; Mourinho foi campeão da Champions League com um time médio no Porto e Capello ganhou tudo que um técnico de clubes poderia ganhar. Luxemburgo só ganhou campeonatos nacionais, e mesmo tendo grandes elencos em várias edições da Libertadores, nunca conseguiu o título.
Em segundo lugar, Luxemburgo não se dá conta que, ao chegar na europa, ele é um Zé Mané. Ninguém no velho continente está interessado no caminhão de títulos brasileiros que um técnico têm. Vanderlei está tão acostumado com a badalação que seu nome goza no Brasil, que parece não saber mais ser tratado como um técnico comum, buscando seu espaço, como acontecia no início de sua carreira, no Bragantino. O sonho de Luxa de fazer sucesso na europa passa pela mudança de mentalidade do treinador. Se ele for humilde o suficiente para lembrar que em outro continente ele é comum até que se prove o contrário, talvez consiga mostrar sua competência.
O problema é que mudanças só ocorrem quando há o reconhecimento do erro. Luxemburgo chega a negar que fracassou na Europa, ao mesmo tempo em que busca explicações mirabolantes para sua demissão do Real Madrid. Agindo assim, o técnico não pode reclamar de quem o trata como um Zé Mané, afinal, com esta total falta de auto-crítica, ele nunca deixará de ser um.

Tuesday, December 06, 2005

Ninguém é campeão

Pela primeira vez, desde que comecei a acompanhar futebol, vi comemorações constrangidas pelo título brasileiro. O Corinthians, campeão oficial, meio "xoxo" pela derrota final e por tudo que acabou lhe favorecendo no campeonato. O Inter, também pela derrota final, e pela indignação de sentir que o título foi tirado de suas mãos no STJD e, posteriormente, por uma arbitragem desastrosa em um jogo decisivo.
Tudo isso é um atestado da incompetência do Sr. Luiz Zveiter ao lidar com um assunto complicado. O momento de anunciar a decisão das anulações foi errado, a maneira como o presidente do STJD mudou de opinião (antes dizia que analisaria jogo a jogo depois decidiu anular todos) também. Mais do que isso, a própria decisão foi errada. Era óbvio que ela era muito difícil e, qualquer que fosse, provocaria reclamações de um ou outro lado. Por isso ela deveria ser baseada na lei. Zveiter desrespeitou o artigo que fala da obrigatoriedade de comprovação da intenção do árbitro de mudar o resultado para a anulação do jogo. Ao invés de se guiar pela lei, o desembargador preferiu ganhar status de defensor da moral no futebol e, ao ver que a maior parte da imprensa apoiava a anulação das partidas, resolveu tentar a consagração. E acabou estragando o campeonato junto com o Sr. Edilson.
Esta decisão é a responsável pelo clima estranho de domingo. O Corinthians não é um campeão legítimo porque jogou 44 jogos em uma competição que deveria ter 42. A sensação é que o Timão se assemelha ao menino que joga campeonatos no videogame e fica tão irritado quando perde que resolve jogar de novo a mesma partida. Esta foi a chance dada ao Corinthians. Por outro lado, é difícil para o torcedor colorado se sentir realmente o campeão. Não sabemos exatamente o que aconteceria se não houvesse aquela decisão. Tanto o Inter poderia desparar na frente, quanto poderia sentir o peso da liderança e deixá-la escapar. O que irrita profundamente o torcedor é que não foi dado ao Inter a chance de tentar provar que podia se manter na frente. Se o Inter realmente conseguiria, isso ninguém pode afirmar.
O Brasileirão deste ano é totalmente sem precedentes pois teve uma decisão jurídica sem precedentes. Não há como comparar o que houve com os erros de arbitragem na decisão Santos e Botafogo de 95, por exemplo. A prova maior disso é que os jogadores botafoguenses foram ao delírio com o título. Corintianos e colorados pareciam estar comemorando pela obrigação de comemorar, uns constrangidos pela ajuda equivocada que receberam, outros tentando esconder sua raiva e insatisfação com tudo que aconteceu.

Wednesday, November 23, 2005

Reproduzo aqui o texto que conseguiu o que eu não consegui. Expressar exatamente o que eu e a maioria dos colorados sentimos no domingo:

O murro na nuca de um colorado

Por Adriano Silva, diretor do Núcleo Jovem da editora Abril

Domingo, 20 de novembro. Um dia épico, com contornos de grande decisão. Pacaembu lotado, torcida em festa, um sol de primavera achou espaço entre as nuvens de chumbo da capital paulista para cobrir com luz e calor o evento e tudo que ele prometia. Um dia que, em menos de 90 minutos, foi apequenado, atropelado, aleijado. O épico virou tragédia. Ou comédia. Para mim, que sou colorado, foi um dia amarguíssimo. E de um fel com matiz novo para mim.

Tem sido comum para um torcedor do Inter ficar chateado com o time nos últimos anos. Por duas vezes não seguramos as calças na Bombonera, perdemos um Brasileiro para o Bahia em casa, perdemos duas Libertadores que estavam na mão - uma para o Nacional, outra para o Olympia, na semi, de virada em pleno Beira-Rio. Além disso, insistimos várias vezes com jogadores varzeanos que já indicavam ao torcedor mais atento, logo no começo da temporada, mais um ano de agruras - Claiton, Perdigão, Celso Vieira, Edu Silva, Leandro Guerreiro etc.

Mas não me lembro de ter sentido antes essa sensação que tenho agora, de furto, de erro, de falta, de desmaterialização, de ausência forçada, de comida roubada, de injustiça, de latrocínio, de merecimento negado, de equívoco, de agressão moral e emocional, de torção do que é direito e legal e lógico.

O Inter ontem, a meu ver, foi muito bem. Veio para ganhar do Corinthians, diante de um Pacaembu em festa, e ia ganhar. Jogando o seu jogo, que é o de colocar pedra sobre pedra, de construir o resultado aos poucos, sem estocadas lancinantes. Então sofremos um pênalti clamoroso, óbvio, paradigmático, exemplar, claríssimo, transparente, cristalino, irrefutável, quase ridículo aos 20 do segundo. OK, talvez o Corinthians viesse para cima e empatasse. Ou talvez viesse para cima e levasse mais um... OK, talvez Fernandão, que nunca errou uma cobrança na carreira, chutasse para fora ou nas mãos do goleiro. Muita coisa podia de fato ter acontecido naquela cobrança e nos 25 minutos de jogo que sobrariam depois dela. Muito jogo bom. Muitos minutos de suor, sangue no olho, marcação, quem sabe gols, que poderiam se inscrever nas melhores páginas do nosso futebol. Tudo isso foi negado, apagado, proibido. As melhores e as piores possibilidades de consecução daquele pênalti inequívoco - dependendo se você torce para o Inter ou para o Corinthians - foram impedidas de acontecer. A realidade foi roubada aos milhares de torcedores de ambos os times, aos milhões de telespectadores de todo o país, à própria história do Campeonato Brasileiro. Eis o que aconteceu: um assalto à realidade, aos fatos que foram deletados antes de acontecer.

Assumo para mim que a grande probabilidade era a de que o Inter saísse do Pacaembu com os três pontos, em condições de brigar de igual para igual com o Corinthians nas duas últimas rodadas. E que final de Campeonato teríamos, com a disputa renhida por esses últimos seis pontos. O Corinthians continuaria levemente favorito. E talvez terminasse mesmo sendo o campeão. Mas o Inter teria tido o direito de lutar até o fim, direito que estava conquistando com hombridade no gramado do Pacaembu.

Chegar a esse ponto, para o Inter, já era um missão hercúlea. E isso é o que incomoda mais, o que dói mais fundo. O Inter se superou nesta campanha - e foi o que se viu ontem, dentro do campo. Estava realizando uma possível trajetória de campeão, operando acima das suas condições naturais, na base da raça, da superação, do esquema tático, dos gritos do Muricy, da união de todos. E, quando está para cumprir a meta impossível, o Inter é surrado, currado, macerado por um erro (?) grotesco, grosseiro, patético, difícil de compreender e de aceitar de um juiz reincidente na arte de liquidar espetáculos. Ou seja - o Inter não foi derrotado por Tevez ou Carlos Alberto ou pelo colorado Nilmar, o que seria justo. Foi à lona com um golpe que não veio do adversário, como um boxer que fosse nocauteado pelas costas, pelo referee, com um murro na nuca.

Perdi o paladar.

Estou sem saber o que dizer - prova disso é que estou escrevendo tanto.

Nem o que sentir.

E peço desculpas pelo tom todo lúgubre, que não consigo evitar.

Corinthians, é claro, não tem culpa de nada. Ao menos é o que imagino. Não tem culpa pelo Edilson, nem pelo Zveiter, nem pelo erro crasso que lhe garantiu três pontos contra o Paysandu, nem pela estupefação que Márcio Rezende causou ao país todo ontem, ao surrupiar o pênalti e, ainda, expulsar a vítima (Tinga) e trocar beijinhos ao final da partida com o agressor (Fabio Costa, um cidadão exemplar). Assim como não teve culpa quando Castrilli liquidou com a Lusa no Paulistão de 98, dando ao Corinthians a chance de ir à final para ser goleado pelo São Paulo.

Mas convido você, torcedor corinthiano que me lê agora, a sentir um pouco, nesta sua conquista iminente do tetra, a senssaboria que eu estou sentindo aqui nesta minha iminência de perdê-lo.

Porque eu acho que essa bile da derrota colorada tem que respingar um tanto no sabor da conquista corinthiana. Ao menos às papilas daqueles corinthianos que só aceitam ganhar na bola, no campo, na justa disputa.

Quanto a mim, salvo milagre (mas sou ateu e acredito mais no poder da MSI do que no poder da divina providência; ainda que, contradioriamente, ainda rogue e ore à justiça divina, porque a justiça dos homens não existe), peço inscrição no clube dos santistas que torceram em 95, dos atleticanos mineiros que torceram em 80, dos torcedores do Azulão que estavam em São Januário em 2000 etc.

Essas são as lágrimas - de revolta e frustração - que eu tinha a derramar.

Sunday, November 20, 2005

Vergonha
Não sou daqueles torcedores que acreditam em teoria da conspiração. Normalmente, sou bem racional(pelo menos quando o jogo acaba) e tendo a não acreditar em especulações sobre tramas e pactos para prejudicar meu time. Mas agora eu me permito, afinal, até o nosso glorioso presidente do STJD tem por política tomar indícios como provas.
E o grande indício de que há algo de errado no Campeonato Brasileiro está passando pela cabeça de todos os colorados como um filme que se repete incessantemente. Perdigão dando um belo passe, Tinga se infiltrando por trás da defesa corintiana, sofrendo o pênalti de Fábio Costa e sendo expulso por ter simulado o choque, segundo Márcio Rezende de Freitas. O pênalti que, se convertido, daria ao Inter a liderança no placar e a possibilidade de finalmente encostar no Corinthians. A não marcação do pênalti, em si, seria um erro gravíssimo, já que é daquelas penalidades que se percebe de longe e no instante em que aconteceu(aposto que todo o colorado gritou pênalti no momento do lance). A expulsão de Tinga é pior: causa um estranhismo e uma suspeição em quem acompanha o futebol. Parece que o árbitro só estava esperando uma chance para sacar um jogador colorado do gramado, e quando viu a infração acontecendo, vislumbrou a oportunidade de, em um mesmo lance, dar dois golpes fortes no Internacional e praticamente decidir um campeonato que já parecia estar injustamente indo para o lado corintiano depois da decisão infeliz de Luis Zveiter.
Mesmo a torcida corintiana saiu do estádio meio "xoxa" depois do 1 a 1. A mesma torcida que antes apoiou cegamente a parceria milionária com a MSI, parece ter percebido que já são manchas demais no caminho do Corinthians para o título. Primeiro, o clube vendido para uma empresa que não se sabe daonde tira tanto dinheiro; depois uma decisão sem precedentes na história do futebol, modificando os resultados de campo; e agora, esse pênalti escandaloso não marcado na partida decisiva do campeonato. E o pior é que quando o campeonato acabar, o torcedor, movido pela paixão, irá exaltar as virtudes do time tetracampeão brasileiro. Por mim, o "quarteto fantástico" da seleção brasileira podia ser substituído: juntando Tevez, Kia, Zveiter e Márcio Rezende seríamos ainda mais favoritos ao hexa na Copa do ano que vem.
Para os colorados resta a indignação e o conforto de ter visto a equipe jogar bem em uma partida decisiva. Nunca vamos descobrir se os erros de arbitragem e as decisões equivocadas foram a mando do Corinthians e sua parceria mais do que suspeita. Porém, sabemos que, não fossem estes dois fatos e o Inter estaria 4 pontos a frente do Corinthians na tabela. Nada mal para um "Busão" que passou o ano inteiro correndo contra a Mercedes corintiana.

Thursday, November 10, 2005

Será que foi tão ruim assim?

Sentado no sofá, tomando um chá de Camomila, parei para assistir a rodada da Copa Sul-Americana de ontem. Certamente não dá para dizer que a competição não é empolgante, já que os jogos me mantiveram desperto apesar de todo o apelo que eu tinha para me entregar nos braços de Morfeu. Mas enquanto eu assistia Fluminense e Corinthians serem eliminados da Copa, pensava se realmente aquela desclassificação iria prejudicar as equipes tanto assim.
Marcos Caetano defendeu esses dias que quanto mais cedo as equipes que brigam pelo título brasileiro saíssem da Sul-Americana, melhor para elas. Apesar do raciocínio parecer absurdo, tenho que concordar com ele, pelo menos por enquanto. A Sul-Americana, apesar de ter um bom potencial para tornar-se uma competição de sucesso, ainda não consegue garantir a atenção total da maioria das equipes. Pensando em médio prazo, vale mais a pena garantir uma vaga na Libertadores através de uma boa campanha no Brasileiro e aí sim priorizar, no ano seguinte, uma competição continental de tradição e prestígio.
Não digo que Corinthians e Fluminense não vão lamentar a eliminação precoce. Principalmente no caso tricolor. Ao contrário da franquia da MSI, o Fluminense colocou equipes titulares em suas partidas na Copa Sul-Americana e tanto o time quanto a torcida pareciam estar animados com a possibilidade de uma conquista internacional. Mas tudo foi arruínado por uma atuação pífia contra o Universidad Católica, ajudada pelo erro de escalação de Abel Braga, que colocou um lateral de ofício (Juan) no meio-campo, sendo ele o responsável pela saída de bola da equipe. Os resultados foram os constantes erros no primeiro passe, causados pela marcação forte dos chilenos e a exagerada retenção de bola de Juan e Preto Casagrande, e a total inoperância do ataque carioca, já que a bola não chegava em Petkovic para que ele pudesse organizar as ações ofensivas. Mesmo assim, ainda acho que a queda tricolor de ontem não é tão ruim assim. Vejo como mais produtivo para o Fluminense a garantia da vaga na Libertadores e até uma tentativa de buscar o título brasileiro, que fica mais forte com a equipe concentrada somente em um campeonato.
Já o Corinthians tem o plano, ou melhor, a MSI tem a ambição de fazer o Corinthians conhecido internacionalmente. Ser desclassificado de uma competição continental seria muito prejudicial, considerando-se as aspirações do chefão iraniano do Parque São Jorge. Mas do jeito que as coisas vão no Campeonato Brasileiro, o título do Timão parece uma questão de tempo e, se ele realmente se confirmar, o ano corintiano está salvo. O título nacional traria o torcedor para o lado da parceria duvidosa que o Corinthians firmou, já que o apaixonado só vê o que lhe é apresentado em campo. Kia poderia postergar tranqüilamente para o ano que vem o sonho de ver um "Corinthians internacional". Se serviu para alguma coisa, a eliminação de ontem foi para mostrar, mais uma vez, o abismo que separa os bons e os maus jogadores do time paulista, evidenciando a falta de peças de nível médio no elenco. Como prova, dá para observar o ataque que jogou ontem e tentar compará-lo com o titular. Alguém acha que Jô e Bobô chegam perto do nível de Tevez e Nilmar?
Nenhum torcedor gosta de ver seu time perdendo. Por ele, até campeonato do bairro, se houvesse, seria bom ganhar. Mas quem está a frente das equipes, apesar de lamentar discretamente os resultados negativos na Sul-Americana, certamente também respiraram aliviados, ao ver que Corinthians e Fluminense não precisarão mais ter maratonas alucinantes de jogos, como a que deve desgastar e dificultar o Internacional, se este passar pelo Boca hoje à noite.

Wednesday, November 09, 2005

Sobre a segunda de noite

O duelo entre as mesas redondas de segunda a noite parecia estar vergando-se para o lado do dinheiro. O famigerado Bem Amigos!, comandado pelo cada vez mais insuportável Galvão Bueno ganhava mais espaço com as contratações do Sportv. Paulo César Vasconcellos e Milton Leite resolveram partir para empreitadas globais, deixando a ESPN Brasil e aumentando a qualidade dos programas do canal a cabo da Globo.
Mas quando parecia que a ESPN Brasil teria que limitar-se a tocar o seu antes brilhante Linha de Passe com Marcos Caetano e Silvio Lancelotti, eis que a emissora, nanica em relação ao poderio global, consegue trazer grandes nomes para sua mesa, fazendo, ela também, contratações estrondosas. Juca Kfouri, Fernando Calazans e Márcio Guedes juntam-se a José Trajano e PVC para devolver ao programa o status de debate esportivo de mais alto nível da televisão brasileira.
As grandes adições ao elenco da ESPN salvam o telespectador de ter que agüentar a chatice de Galvão Bueno, misturada com os "achismos" de Renato Maurício Prado, os insuportáveis testes de Arnaldo Cézar Coelho e os números musicais interrompendo o debate. Além disso, garante aos interessados o direito de ouvir algumas verdades que não podem ser ditas dentro da Rede Globo. Exemplo claro foi a delcaração sincera e verdadeira de Juca Kfouri, no Linha de Passe de segunda-feira, de que não há bons programas de futebol na televisão aberta. Já imaginou alguém falando algo desse tipo com um globo estampado na camisa?